A CELA ENORME
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Autor : E. E. CUMMINGS
Editora : ILUMINURAS
Páginas : 320
Edição : 1 - 2026
Ano : 2026
Origem : NACIONAL
Encadernação : BROCHURA
Dimensões : 15.5 x 22.5 x 1.8
ISBN : 9786555193046
Situação : Sob Encomenda
Data de lançamento : 19/10/2026
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O leitor de uma obra ambientada em uma guerra já espera relatos dolorosos, caóticos e nauseantes. Em A Cela Enorme, o estadunidense Edward Estlin Cummings (1894-1962) nos apresenta esse panorama. Porém, a notabilidade da obra está justamente em sua capacidade de inserir esses elementos em um fundo parodístico, conduzindo-nos a um "front" inesperado.Cummings, poeta e artista plástico, transforma em tecido literário-pictórico uma experiência autobiográfica. Por solidariedade ao amigo William Slater Brown e por uma boa dose de insolência diante dos inquéritos sofridos, acaba preso na França durante a Primeira Guerra Mundial. Desse confinamento nasce uma narrativa solipsista, em que a observação do mundo se confunde com a construção de uma linguagem própria, atravessada pelo inglês e pelo francês, por onomatopeias e jogos verbais, gerando uma polifonia do absurdo.Desfilam por essas páginas personagens que expõem o ridículo e a fragilidade de valores como o orgulho nacionalista, levados quase ao limite da caricatura. O resultado é uma espécie de "velório festivo", em que o humor ácido é forma de revolta diante de um mundo entregue à sujeira, à vulgaridade e à desrazão. Publicado em 1922, no mesmo ano que outros títulos consagrados, A Cela Enorme se junta a esse prolífico momento e antecipa procedimentos que marcariam o século XX, combinando nonsense, experimentação linguística e humor corrosivo.É nesse território híbrido, entre o relato verídico e a invenção, a amizade e o desprezo, o confinamento e a liberdade, que a habilidade e a experiência de Luci Collin como tradutora revelam-se em sua potência. Sua tradução nos conduz pelo universo de Cummings, preservando sua verve inventiva e colocando-nos o mais perto possível do campo de visão do autor, onde até mesmo a guerra pode se converter em matéria de riso, e o riso, em uma das formas mais radicais de resistência.Fedra Rodríguez
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