AGORA POSSO ACREDITAR EM UNICÓRNIOS

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9786588091173
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    • 1
      Autor
      ‹ ›
      BALBO, ANDRÉ Indisponível
    • 2
      Editora
      ‹ ›
      EDITORA REFORMATORIO Indisponível
    • 3
      Páginas
      ‹ ›
      160 Indisponível
    • 4
      Edição
      ‹ ›
      1 - 2021 Indisponível
    • 5
      Ano
      ‹ ›
      2021 Indisponível
    • 6
      Origem
      ‹ ›
      NACIONAL Indisponível
    • 7
      Encadernação
      ‹ ›
      BROCHURA Indisponível
    • 8
      Dimensões
      ‹ ›
      14 x 21 x 1.3 Indisponível
    • 9
      ISBN
      ‹ ›
      9786588091173 Indisponível
    • 10
      Situação
      ‹ ›
      Disponível Indisponível
    • 11
      Data de lançamento
      ‹ ›
      30/03/2021 Indisponível
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Agora posso acreditar em unicórnios veio pra mim no tempo entre dois mundos e, junto com eles, os contos de André apresentaram um terceiro: o da espera intransitiva onde o sussurro pede no cotovelo a passagem, onde a linguagem desponta o que sempre foi latente. Aqui, uma observação aguda de mundo é costurada pelo humor que é cúmplice na jornada de tatear a imensidão das nossas falhas. Dão as caras pelos contos as alegrias do engano, do ruído no código, de um rato sem rabo porque a desorientação geral se flagra na vida mais mínima, na que não tem vergonha.A nossa coletânea de fracassos só pode mesmo ser reorganizada por pares de pulmões que sentem, e que sentem muito, sentem tanto que o doméstico se torna insustentável pelos montes de coisas minúsculas que, sozinhas, nem seriam percebidas, mas juntas desenham os contornos da angústia presumida num certo ser gente, num certo se olhar e se ver enturvado na casa que habita, na rua, nas moscas mortas nos cafés, televisão aberta, amigo imaginário, lanchonete vazia, guardanapos que esfarelam, gatorade pela metade, almas cheias de tarifas. O materialismo melancólico escancara a nossa precariedade doméstica: boias de salvação podem arbitrariamente virar pedras.A escrita de André é dum primor que surpreende como um vento que desperta velas fúnebres a cada amontoado de coisas e, num susto, acendem nossa posição de agora, e de agora, e de agora. Os contos avançam num trânsito muito engajador entre a língua da mente e a língua do pé até o mundo que virá depois desse, onde precisaremos da minúcia e do sussurro, ainda que desorientado, vivo. A melancolia aqui tem um bonito contraponto: os homens de André escutam e se abrem às vozes encobertas de mundo onde os verdadeiros mensageiros são os dedos; e os dedos, ainda que cegos, sentem nas pontas as rachaduras que são tanto falhas quanto brechas de possível.

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