A doutrina de Santo Tomás de Aquino ocupa, na tradição da Igreja, um lugar que não pode ser reduzido ao de uma escola filosófica entre outras. Ao longo dos séculos, o Magistério não apenas recomendou o estudo do Doutor Angélico, mas reconheceu em suadoutrina a expressão mais segura dos princípios sobre os quais se edificam a filosofia e a teologia católicas. Não sem razão, Bento XV pôde afirmar que "a Igreja declara que a doutrina de Tomás de Aquino é a sua."Apesar da clareza e da constânciadesse ensinamento, tornou-se cada vez mais comum tratar o tomismo como uma opção legítima entre várias outras, cuja adoção dependeria apenas da preferência de cada teólogo, professor ou instituição. Com isso, perde-se de vista uma questão fundamental: qual é, afinal, o verdadeiro estatuto da doutrina de Santo Tomás na Igreja?É a essa pergunta que Carlos Nougué procura responder.Longe de uma defesa fundada em preferências pessoais ou de um apelo à nostalgia de uma época passada, o autor empreende uma investigação histórica e documental sobre a recepção da doutrina tomista pelo Magistério. Papas, Concílios, Congregações Romanas e grandes teólogos são convocados não como autoridades isoladas, mas como testemunhas de uma tradição contínua que reconheceu em Santo Tomás o Doutor Comum da Igreja.O resultado é uma obra que recoloca o debate em seu verdadeiro terreno. A questão já não consiste em saber se o tomismo continua atual ou se é intelectualmente superior a outras correntes. Antes, pergunta-se se a própria Igreja conferiu à doutrina de Santo Tomás uma autoridade singular e quais são as consequências desse fato para a filosofia e a teologia católicas.Da Autoridade de Santo Tomás é, assim, um convite a redescobrir um dos princípios fundamentais da tradição intelectual da Igreja e, ao mesmo tempo, uma resposta serena e rigorosamente fundamentada a uma questão cujas consequências alcançam toda a vida intelectual da Igreja.