Sem nomes próprios, sem lugares identificados, sem datas que fixem a narrativa a um episódio preciso, Disfarce acompanha a vida de dois jovens empurrados pouco a pouco para as margens. O que conduz o romance não é a sucessão de grandes acontecimentos, mas a passagem das quatro estações, entrelaçada à lenta desfiguração de seus personagens.Ao longo do livro, a ocupação e a opressão aparecem menos como pano de fundo do que como uma força difusa, capaz de alterar a fala, os gestos, os caminhos e os desejos. A linguagem se torna barreira; o silêncio, refúgio e cárcere; e o disfarce, talvez a única forma possível de existência.Enquanto essas vidas se dispersam, árvores, animais e figuras deslocadas surgem como presenças ambíguas: às vezes oferecem consolo, às vezes intensificam o tormento. Em uma prosa de extrema contenção, Adania Shibli constrói um romance sobre aquilo que se apaga sem desaparecer por completo - e sobre tudo o que continua a crescer, perdurar e resistir.