ENTRE A VELHICE E A JUSTIÇA: UMA LEITURA DO LIVRO I DA REPÚBLICA DE PLATÃO
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Autor : MARIA DAS GRAÇAS DE MORAES AUGUSTO
Editora : APPRIS EDITORA E LIVRARIA LTDA
Páginas : 226
Edição : 1 - 2026
Ano : 2026
Origem : NACIONAL
Encadernação : BROCHURA
Dimensões : 16 x 23 x 2
ISBN : 9786525056067
Situação : Pré-Venda
Data de lançamento : 13/11/2026
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A divisão dos diálogos platônicos em 'socráticos' e 'platônicos' fundamentou a hipótese de que o livro I da República fosse, originalmente, um diálogo autônomo dos demais nove livros, ao qual F. Dümmeler atribuiu o nome de Trasímaco. Essa hipótese foi questionada por muitos comentadores que enfatizaram a função do livro I como sendo a de colocar introdutoriamente em cena as idéias que formariam as "membrures" da obra. Em tempos recentes, a tese da inteireza da República foi retomada por C. Kahn a partir da hipótese de que o livro I cumpre uma função "proléptica", isto é, uma função "antecipadora" dos problemas ?losó?cos que serão posteriormente colocados, funcionando como um instrumento que é característico da "estrutura artística" da República, e ?loso?camente utilizados "... as a kind of résumé or reminder".No presente texto, partindo da premissa de que o livro I compõe o contexto integral da República, proponho a discussão dessa "integralidade" a partir da compreensão platônica de que a discussão entre Sócrates, Polemarco, Gláucon, Adimanto, Céfalo, Trasímaco e Clitofonte não é nada mais do que um "proêmio". O que indicamos aqui, é uma compreensão da função proemial do livro I no contexto da República, a partir das demais ocorrências do termo no diálogo, o que nos permitirá inferir que não temos apenas "um proêmio" (o livro I), isto é, o proêmio à "politeía", mas "dois" outros proêmios: o "proêmio à dikaiosýne" e o "proêmio à dialética", assim de?nidos por Glaúcon em 432e-8 e por Sócrates em 532d, respectivamente.Ora, se nos ativermos à de?nição de proêmio dada pelo Estrangeiro de Atenas, em Leis, 722c-d, como sendo copertinente ao lógos e à phoné, veri?caremos que o 'proêmio' está assimilado à questão da ?loso?a como um gênero do lógos, tendo um estatuto ?losó?co que o diferencia dos proêmios dos gêneros poéticos e do proêmio retórico. E, enquanto parte do "gênero ?losó?co", não pode ser reduzido a um começo, a uma "antecipação", tal como parece ocorrer nos proêmios dos demais gêneros, mas deve estar mesclado ao próprio andamento do diálogo, atrelado apenas ao contexto 'metódico' que envolve a noção de "ek arkhés".
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