Em seu mais recente livro, Joel Birman - um dos mais premiados psicanalistas brasileiros - se dedica a analisar as relações entre catástrofe e trauma no Ocidente.Genealogia da catástrofe e do trauma em psicanálise, do premiado psicanalista Joel Birman, examina a crise multidimensional do mundo contemporâneo, marcada por profundas transformações ecológicas, políticas, sociais, econômicas e subjetivas, que produzem um cenário de ameaça à continuidade da vida coletiva. Partindo da ideia de que "viver é muito perigoso", evocada por Riobaldo em Grande sertão: veredas, o autor argumenta que as coordenadas fundamentais da modernidade foram desconstruídas, gerando um "desmapeamento" do mundo e das formas de pertencimento social.No campo ecológico, o texto destaca os efeitos devastadores das mudanças climáticas, agravados pelo negacionismo político e pela lógica produtivista do capitalismo neoliberal. São citados exemplos recentes no Brasil, nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia, evidenciando a dimensão global da catástrofe ambiental. Paralelamente, analisa a ascensão da extrema direita e a regressão democrática em diversos países, com ataques às instituições, intensificação das desigualdades sociais, expansão do neoliberalismo e crescimento das crises migratórias e humanitárias.O autor aborda ainda a violência contra as mulheres e a comunidade LGBTQIAPN+, entendida como parte de um movimento reacionário de restauração de valores patriarcais e autoritários. Nesse contexto, o sofrimento psíquico emerge como experiência central do nosso tempo, pois a impossibilidade de antecipar o futuro desorganiza os sujeitos e amplia os estados de angústia, pânico e depressão. A obra propõe, então, uma genealogia psicanalítica do trauma, articulando Freud, Ferenczi e outros autores às condições históricas e sociais do presente.