Este livro propõe analisar a trajetória de algumas mulheres ligadas à extrema direita a partir de suas próprias gramáticas, interrogando as formas pelas quais se articulam valores conservadores, práticas de cuidado e reivindicações de protagonismo. Ao fazê-lo, busca-se deslocar leituras simplificadoras que reduzem essas mulheres à condição de coadjuvantes, evidenciando-as como agentes que produzem sentidos, organizam redes e disputam o significado da política. Nesse percurso, a extrema direita aparece não apenas como campo ideológico, mas como espaço de elaboração de uma feminilidade específica, na qual a atuação pública se ancora em uma ética da colaboração, da autoridade moral e da centralidade da família.