Há viagens que não começam no aeroporto nem terminam no retorno. Começam muito antes - na infância, no exílio, em memórias que se tornam nossas, em línguas que aprendemos sem saber que já sabíamos.Ana Rossi viajou ao Chile pela primeira vez em fevereiro de 2024. Mas os poemas deste livro dizem outra coisa: que ela já estivera ali, em suas ruas, em seus vulcões, no deserto de Atacama, antes mesmo de nascer, bem antes de nascer. "Sempre fui chilena desde há milênios", escreve. E o leitor acredita, porque a voz que atravessa estas páginas não é a de uma turista, mas a de alguém que reconhece o que vê pela primeira vez, como se fosse seu.