Ao partir de um interesse pessoal sobre as raízes familiares, Maurício Stycer, jornalista de longa data voltado para o mundo da notícia, da Cultura e do Entretenimento, acabou escrevendo um livro épico, a despeito de suas poucas páginas. Conta a história do avô materno, Jacob, às voltas com os desastres da Primeira Grande Guerra, do tio paterno, Abraham, militante do Bund, o partido operário e socialista judeu, e do pai, Boruch, que fugiu do nazismo por dez anos, a partir de Lublin, na Polônia,passando pela China e Estados Unidos até aportar, por fim, no Rio de Janeiro. Três homens judeus em fuga, três aventuras narradas com as palavras precisas do jornalista e a visão íntima de um escritor aferrado ao seu tema. Trechos "Nas dezenas de páginas a seguir, Jacob descreve suas aventuras nas montanhas. São relatos assustadores. Caminhadas no escuro, proibidos de falar ou fazer qualquer barulho. Proibidos de fumar, ou acender qualquer fogo, para não chamar a atenção. Frio, muito frio. O barulho das armas ao fundo, trovejando. Lama por todo lado. Trincheiras cavadas com dificuldade. Parecia mais fácil remover pedras do que cavar um buraco para se proteger, observa Jacob". . "A 'República Popular' da Lituânia havia passado para outras mãos, para as mãos experientes da GPU, a polícia secreta russa. Um novo interrogador, falando em russo, foi direto ao ponto: "Pare com seu número sobre o Bund e fale honestamente sobre seu trabalho contrarrevolucionário, a menos que não queira sair dacadeia". Sem esperar pela resposta do preso, ele escreveu algumas palavras na ficha criminal de Abraham e saiu da sala". "A etapa seguinte da aventura foi Vladivostok. Boruch foi mandado para um hotel grande onde havia outros refugiados. As condiçõeseram horrorosas. Ficavam em colchonetes num enorme salão. Para se lavar, precisavam ir a um banho público. Alguns tinham piolhos nos cabelos. Ali ficaram algumas semanas esperando a vez de embarcar para o Japão. É um momento em que Boruch fraqueja."