Poucos meses antes do assassinato de Refaat Alareer, o ministro de Defesa israelense, Yoav Gallant, disse que Israel lutava contra "animais humanos"; já o ministro das Finanças do país, Bezalel Smotrich, declarou que o povo palestino é "inventado" -negando sua existência histórica, sua cultura milenar. Em outubro daquele mesmo ano, 2023, Benjamin Netanyahu citou o versículo bíblico sobre Amaleque, povo que Deus ordenou exterminar até o último: "homens e mulheres, crianças e bebês, bois e ovelhas, camelos e jumentos". Por trás de todo genocídio sempre há um processo patológico de desumanização, transformando uma sociedade inteira, como a Palestina, em uma ameaça abstrata e irracional, como se movida por ódio e fanatismo: uma doença que deve ser eliminada, higienizada.De acordo com relatórios de agências da ONU, mais de 50.000 crianças foram mortas ou gravemente feridas na Faixa de Gaza, desde 7 de outubro de 2023. Esses são números oficiais, mas, debaixo das cerca de 68 milhões detoneladas de escombros, o número chega a ser inimaginável.Nem a retórica, tampouco as operações genocidárias e de limpeza étnica do regime sionista de Israel são novidades e é precisamente contra essas ações orquestradas de apagamento - físico e cultural - que se insurgia Refaat Alareer.