A DIVINA MIMESIS

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9788593478468
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    • 1
      Autor
      PASOLINI, PIER PAOLO Indisponível
    • 2
      Editora
      EDICOES JABUTICABA Indisponível
    • 3
      Páginas
      108 Indisponível
    • 4
      Edição
      1 - 2026 Indisponível
    • 5
      Ano
      2026 Indisponível
    • 6
      Origem
      NACIONAL Indisponível
    • 7
      Encadernação
      BROCHURA Indisponível
    • 8
      Dimensões
      14 x 21 x 1.188 Indisponível
    • 9
      ISBN
      9788593478468 Indisponível
    • 10
      Situação
      Disponível Indisponível
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Por mais de uma década Pasolini escreveu e reescreveu sobre um sonho-viagem, dublê do outro, escrito por Dante - A Divina Comédia - sobre o inferno que coube a cada um deles. Enquanto Dante tem como guia o poeta Virgílio, quem acompanha o caminho e as aflições de Pasolini - há uma expressão recorrente no livro, "aperto no coração" - é ele mesmo, duplicado na imagem de si próprio quando poeta na Itália dos anos 50 do século XX.O texto é feito de anotações, de blocos fragmentados e datados, uma espécie de diário de viagem, seguido por um conjunto de fotografias - uma iconografia amarelada - que constitui junto ao texto um poema visual. A sugestão, ou o desejo do autor da divina mimesis, é que se leia o livro interceptado pelo álbum de fotografias que concentram, como em capítulos sintéticos, a história da Itália, ou a história da Itália pasoliniana: o rápido evoluir da situação após a guerra, partigianos, levantes à mutação antropológica construída, ano a ano, pela sociedade do dinheiroe do consumo. Boa parte das fotografias são de poetas.A diferença entre as duas viagens e seus protagonistas são substanciais: Dante era "sustentado por uma ideologia de ferro (...) produto final de toda a Idade Média" e com sua aventura literáriaalargou a língua italiana; o Pasolini poeta-guia, autor dos poemas escritos até os anos 1950, sabia o que era a língua culta, e sabia o que era a vulgar. Já o poeta, na altura dos seus 40 anos, constata que a língua se uniformizou e "ambas são agorauma única língua: a língua do ódio". A pergunta que dirige a seu guia é: como continuar a expressar a vida numa língua como essa, a língua do ódio? Que inferno é esse?"O Inferno que pus na cabeça descrever já foi descrito simplesmente por Hitler. Foi através de sua política que a Irrealidade se mostrou de verdade em toda a sua luz. Foi dela que os burgueses extraíram o verdadeiro escândalo ou, me envergonha dizer, viveram a verdadeira contradição de suas vidas." É essa "verdadeira contradição",o novo inferno, que Pasolini espera, sem cinismo, descrever como poeta neste livro e em suas últimas obras.- Maria Betânia Amoroso

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