Ao leitor que comece com a pergunta simples: "que livro é este?" - não será errado responder que se trata de uma cartografia. Antes de tudo por seu objeto, definido com um recorte geográfico: de um lado, o território grego, de outro, os lugares que apartir daí se estendem até as fronteiras do Irã. Isso não implica que venha a ser alguma espécie de tratado de geografia, a referência ao Hélicon, pátria das Musas, propondo o desenho preciso do que está em causa: a poesia e o mito dos gregos. Em resumo: denominações em tudo eloquentes para uma obra monumental que mapeia desde logo seus parâmetros: o oriente do Hélicon, o ocidente da Ásia, seus mitos e poesia. A cartografia não se reduz, todavia, a belos achados de nomeação, dizendo respeito aopróprio método. Com britânica objetividade, Martin L. West esclarece, no prefácio, seus parâmetros: se na vertente oriental interessam fontes mesopotâmicas, anatólias, sírias e bíblicas, do lado dos gregos o corpus mitopoético considerado vai de Homero a Ésquilo.