A liturgia da dependência, no campo da educação e especialmente na universidade, manifesta-se como norma internalizada que organiza o cotidiano acadêmico sob aparência de racionalidade técnica. Não se trata apenas de orientar pesquisa e ensino, mas de reconfigurar o próprio tempo em que essas atividades ocorrem, submetendo-o a lógicas externas. Na universidade, essa liturgia aparece em calendários exógenos, métricas internacionalizadas e exigências de produtividade que fragmentam o trabalho intelectual. O docente passa a viver sob urgência permanente, com interrupções constantes que inviabilizam a continuidade reflexiva - condição da crítica. O tempo longo da elaboração é substituído por ciclos curtos de entrega e validação.A educação, assim, desloca-se de um processo formativo orientado pela construção histórica do conhecimento para um regime de desempenho e adaptação. A universidade, que poderia sustentar a autonomia do intelecto social, torna-se o espaço onde a dependência se naturaliza. Dessa forma, a liturgia da dependência não apenas atravessa a universidade: ela a reorganiza internamente, convertendo-a em um dispositivo central de reprodução do controle do tempo histórico.