O presente livro, A lógica diagnóstica na clínica psicanalítica: das estruturas clínicas à estrutura da cadeia borromeana, visa explorar uma das questões mais delicadas e cruciais da prática psicanalítica: o lugar e a função do diagnóstico, buscando situá-lo na psicanálise como uma operação ética, sustentada pela escuta do inconsciente.Tadeu Aguiar, em sua obra, defende que a psicanálise se faz no caso a caso. Ela se renova a cada sessão, pois acolhe as singularidades. Portanto, o diagnóstico não se fecha como sentença, mas se abre como hipótese provisória, construída sob transferência e passível de ser interrogada.Essa é a posição sustentada pelo autor, um posicionamento ético e avesso à proposta vigente na era dos DSMs. O diagnóstico vem se tornando uma tradução estatística de condutas observáveis. Isso corre o risco de deixar de ser um operador clínico para tornar-se um rótulo normativo, calando aquele que sofre, ou seja, o sujeito falante, portador de um saber inconsciente e insabido.Todo sofrimento é doença? Essa é uma questão que se impõe na contemporaneidade, diante da medicalização da vida cotidiana, cuja lógica transforma o mal-estar existencial em transtornos universalizados, apagando as subjetividades. Em contrapartida, o autor ressalta que a prática psicanalítica, desde Freud, não se restringe a um conjunto de técnicas e visa às particularidades e complexidades de cada caso. Ele enfatiza que, com Lacan, surge a construção de uma lógica diagnóstica que se diferencia radicalmente da lógica médica.O livro é fruto de uma ampla e rigorosa pesquisa, escrito de maneira clara e instigante. É um convite irrecusável à leitura para aqueles interessados em psicanálise e para os psicanalistas de nossos tempos. Eles não se rendem às urgências urdidas e persistem na construção da prática clínica - um desafio constante.Marcia de AssisPsicanalista, membro da EPFCL-Rede Diagonal Brasil-Niterói