Este livro é uma viagem. Em múltiplos sentidos. Uma viagem por dentro à procura de si, longe de qualquer referência, acolhendo o que sobra. Uma viagem para fora ao encontro dos encontros, abraçando as histórias de luta, beleza e sofrimento que forjaram esse povo. Uma viagem no tempo, onde o tempo não conta, entre passado silenciado e futuro incerto. Uma viagem livre, enfim, nas veias do Nordeste, entre campos e praias, em que a força do pé no pedal é o que faz pulsar a vida."Dias atrás me vi contando para umes amigues sobre Cha e a viagem de bici pelo Nordeste. Eu imaginava que para tamanho acontecimento seria necessário um planejamento bem meticuloso.Este livro-viagem-território que a gente irá (ler) pedalar junto com Cha Dafol, ao longo de 288 páginas, será desde a não organização nem planejamento, contudo, isso não implica desorganização.Este escrito não acredita em binarismos. Não só porque Cha é uma pessoa não binária, mas porque a vida e os dias são não binários. Entre um baita planejamento e uma desorganização existem mundos. Muitos deles aqui presentes.E Cha vai descobrindo-os desde que chega com a bicicleta - que ainda não se chama Teimosa - no aeroporto e começa a refazer a equipagem. Desculpem, desde antes. Elu vai des-cobrir para a gente como é sua forma de ver e pensar. "Espero que entendam que eu seria menos 'eu' se tivesse que me enfiar nesses moldes desajustados". Essa frase tão bonita - que aparece na sua apresentação - poderia ser a foto-auto-rretrato da orelha.Já percorridos uns quantos dias-quilômetros-páginas, encontradas muitas pessoas e batalhando contra um inimigo invisível, Cha terá a revelação que ninguém gostaria: Agosto é o mês do vento e "hoje" é dia 1º do oitavo mês."Na viagem, tudo pode acontecer, mas o que acontece é sempre outra coisa. "Recomendo demais a leitura gostosa deste percurso que é a um mesmo tempo dramático e não poupa em humor, ironias, sorrisos e mais, tem reflexões que ficam reverberando para além do tempo-espaço. Tenham certeza, nem Cha nem nós voltamos a ser as mesmas pessoas depois desta travessia. Travessia que faz um movimento tal, que no início Dafol pedala pelo Sertão, parando e conhecendo assentamentos e pessoas do MST, e termina a viagem sendo parte do Movimento. O movimento entra no corpo e se faz carne com todas as histórias e pessoas-personagens que estão aqui. Presentes."mariam pessahpoeta e escritorax