Hannah Arendt desenvolveu sua tese de doutorado sobre o conceito de amor em agostinho fora de sua dimensão teológica, tornando a filosofia a chave interpretativa para a sua análise. como resultado, a filósofa alemã se debruçou sobre as contradições agostinianas no que concerne à tríade do amor: o amor a Deus, o amor a si e, especialmente, o amor ao próximo, problema-central de sua investigação. é nessa articulação que ela compreende o amor como motor da ação humana, gerador de movimento em direção a algo. somado a isso, o bispo de hipona visualiza o amor como um princípio ético que vincula os seres humanos formando, assim, comunidades. entretanto, o que arendt questiona é a capacidade do amor de atuar, por si só, nesta dimensão social. sua investigação doutoral culminará na refutação da teoria agostiniana, em que o amor não promove nenhuma conexão social, mas existe algo por trás, primevo, que gera esta ligação desde o nascimento do indivíduo. A obra Amor e ação no mundo: a formação teológica do espaço público em Hannah Arendt e Agostinho representa, para todos nós que amamos o pensamento de Agostinho, um divisor de águas, pois nela a autora, brilhantemente, consegue apresentar uma síntese do pensamento agostiniano iluminado pelas profundas reflexões de Arendt; oferecendo aos leitores uma ilustradora reflexão sobre a inserção da categoria ''''amor'''' no pensamento filosófico-político. Prof. José Francisco de Assis Dias Professor adjunto no PPG de Filosofia (UNIOESTE /PR ) Coordenador do curso de Licenciatura em Filosofia (UNIOESTE /PR ) Produzidos para as demandas de pesquisa intrínsecas à universidade, é cada vez mais frequente que trabalhos acadêmicos venham a lume na forma de livros; acontece, porém, que apenas uma minoria destas obras editadas tem o brio do texto gestado, amadurecido, no qual a perícia do autor faz jus à matéria abordada, trazendo-a à plenitude. Amor e ação no mundo: a formação teológica do espaço público em Hannah Arendt e Agostinho, da jovem teóloga e mestre em filosofia Elissa Gabriela, oferece amostra de refinada interpretação da tese daquela filósofa alemã sobre o Doutor da Graça, recordando o quanto o amor e a política não são inconciliáveis. Recomendar tal escrito, além de chamar atenção para uma oportuna contribuição ao tema, certamente digna de ser conferida, é referendo ao admirável teor de tal esforço intelectual. Prof. Roberto Saraiva Kahlmeyer-Mertens Professor adjunto no PPG de Filosofia (UNIOESTE /PR ) Professor colabor