A poesia seria uma travessia entre brumas azuis.O poeta, barqueiro que conduz os sentimentos pelas águas do indizível da alma, entre o silêncio e a revelação, entre o humano e o divino.É preciso afiar a sensibilidade como quem prepara a lança: com calma, devoção, silêncio e coragem.Poetar é sentir as ninfas, as musas, os deuses do vento e das brumas e permitir que eles se façam carne sobre a página em branco.Cada poema será uma oferenda aos mistérios, um gesto de gratidão à máquina do outro mundo que, ainda imberbe, pede passagem.E quando o verso, enfim, tocar a margem oposta do leitor, ocorrerá um instante fugaz de epifania, momento em que barqueiro e poema se tornam uno.