Novo livro de um dos poetas brasileiros mais consagrados da atualidade funde história pessoal e narrativas que remontam à origem do mundo."Não fui eu quem fez o mundo/ e sei que isso conta a meu favor", escreve Eucanaã Ferraz no poema que abre este volume. Mistura de poesia, ensaio, memória, crônica e enciclopédia, Aramão - livro híbrido, de difícil classificação - organiza-se em três partes.A primeira é um longo poema (ou uma junção de vários poemas?) que reconstrói livremente a história da humanidade a partir de mitos e relatos (auto)biográficos num fluxo fascinante e perturbador. A segunda parte toma como ponto de partida um episódio verídico do mundo das artes e realiza uma composição tão divertida quanto melancólica, próxima das narrativas policiais. Já o terceiro bloco é um conjunto de poemas que explora os poderes extraordinários de um personagem extravagante: o faquir.Como em toda a obra de Eucanaã Ferraz, os leitores são convidados a ingressar em um universo feito de luz e sombra. Aramão tem como pano de fundo fotos da família do autor em Pernambuco e no subúrbio carioca, transformados em espaços fabulosos. Essas imagens, belas e nostálgicas, exibem-se como uma galeria de sensações, misteriosas e surpreendentes. No aparente caos, ou sonho, tudo está cuidadosamente costurado por um grande arame.
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