Não dá para entender o Ocidente sem conhecer suas heresias. Muito antes das ideologias modernas, foram erros de fé que corroeram instituições, remodelaram costumes, leis e até a psicologia do homem comum. Muitas dessas disputas parecem enterradas em concílios antigos e polêmicas de livros empoeirados, mas continuam circulando hoje em slogans políticos, espiritualidades nebulosas e num novo paganismo que trata a Cristandade como um incômodo do passado.É isso que Hilaire Belloc mostra em As grandes heresias. Longe de tratar a heresia como curiosidade de manual, ele a define como a mutilação de um sistema vivo de doutrina: conserva um pedaço da verdade, mas torce o resto. A partir dessa chave, ele acompanha cinco grandes ofensivas contra a fé católica - o arianismo, o islamismo, o movimento albigense, a Reforma protestante e o difuso "ataque moderno" -, e mostra como cada uma investiu contra a Igreja por um flanco específico: negando o mistério, invadindo de fora, corroendo de dentro, rompendo a unidade ou tentando dissolver todo o sobrenatural.Longe de ser apenas um estudo de curiosidades históricas, esta obra oferece ao leitor católico um mapa de batalha para o presente. Ao mostrar que hoje a disputa já se delineia com nitidez entre a Igreja Católica e um novo paganismo militante, Belloc ajuda a reconhecer, por trás das palavras de ordem modernas, as velhas heresias em nova roupagem - e a entender por que a defesa íntegra do dogma não é um luxo de especialistas, mas uma questão de sobrevivência espiritual e cultural.