Velha questão muito agitada entre protestantes e católicos é a relativa ao número de livros da Escritura Sagrada. Sempre dizemos - e com razão - que a Bíblia protestante é incompleta; faltam-lhe vários livros do Antigo Testamento e mais de um do Testamento Novo.Replicam os irmãos separados que a nossa Bíblia Católica é que tem laivos de falsidade, porque encerra livros que não são inspirados por Deus. Todos aqueles escritos que lhes objurgamos não existir nas suas Bíblias dizem eles estar demais nas nossas porque são apócrifos e falsos. Como se vê, é unia questão muito séria, que torna necessário tirar a limpo. Porque, no caso, uma das Bíblias incide em grave engano: ou a dos protestantes por deficiência, ou a dos católicos por exagero. Quem, pois, tem razão? A Bíblia católica ou a Bíblia protestante?Doutra parte, diz São Paulo que "toda Escritura divinamente inspirada é útil para ensinar, para arguir, para corrigir, para educar na justiça". Mas se a Bíblia católica encerra livros não divinamente inspirados; já estes livros não são úteis aos fins apontados por S. Paulo. E, se eles são, na verdade, inspirados e os protestantes não os possuem e até os acoimam de falsos, então a história é muito mais séria e grave, porque se trata do desprezo formal das divinas Escrituras.Antes de tudo, digamos que, no caso de permanecer a dúvida sobre a inspiração de tais livros que os católicos têm em sua Bíblia e os protestantes refugam na deles, a condição da Bíblia católica é muito melhor. Antes ter tais livros, ainda que não inspirados, e lê-los para se edificar, do que, em face de dúvida tão séria, assacar-lhes a pecha de livros espúrios, sendo que, afinal, muita gente santa e sábia, como Santo Agostinho, os aceitou qual palavra de Deus.