Nesta obra, Marilena Chaui analisa as representações que estruturam a ideia de Brasil desde a colonização até o presente, defendendo que a sociedade brasileira se organiza a partir de um mito fundador que naturaliza a desigualdade, a violência social e o autoritarismo. Essa narrativa apresenta o país como um "dom de Deus e da natureza", pacífico, harmonioso, mestiço e sem conflitos profundos, ocultando as relações históricas de dominação, discriminação e exploração.Ao analisar símbolos nacionais, discursos sobre identidade e celebrações cívicas, Chaui mostra como esse mito se atualiza ao longo do tempo, funcionando como um mecanismo ideológico que bloqueia a percepção das divisões sociais e legitima a concentração de poder do Estado. Assim, este livro propõe uma leitura crítica da formação nacional, revelando como a exaltação da unidade e da cordialidade convive com a exclusão, com o racismo estrutural e com a fragilidade da democracia.