Ambientado entre os anos que antecedem e sucedem o golpe de 1964, Cantos Insurgentes expõe uma engrenagem pouco discutida da repressão brasileira: o uso da psiquiatria e dos manicômios judiciários como instrumentos de neutralização política.Ao acompanhar a trajetória de Tales, médico que atravessou os bastidores do regime, e de Clarice, marcada por perdas irreparáveis, o romance revela como diagnósticos foram manipulados, como identidades foram apagadas e como o rótulo da "loucura" serviu para silenciar vozes incômodas.Entre documentos, laudos e memórias fragmentadas, a narrativa reconstrói o impacto humano da ditadura para além das prisões e da tortura: o cárcere invisível do estigma e do abandono.Mais do que uma reconstrução histórica, esta narrativa confronta o leitor com uma pergunta incômoda: o que acontece quando o saber científico se dobra ao poder? Num país que ainda disputa sua própria memória, lembrar é um ato de insurgência.