Este livro não é mais uma biografia. Chiquinha já possui ao menos três. Além de um site, um acervo com cerca de 2000 composições, mais de 70 peças de teatro, uma minissérie, milhares de partituras reproduzidas por ano nos conservatórios de música e músicas tocadas a cada semana em rodas de chorinho pela cidade. Não é pouco para uma mulher filha do segundo reinado e mãe da república. Este livro buscou compreender como isso tudo foi possível. Ela foi a primeira compositora brasileira no segundo reinado. Produziu incansavelmente até a sua morte aos 87 anos. Participou do movimento abolicionista, enfrentou a família conservadora e com isso arcou com as consequências de querer ser "a mulher-homem", isto é, de participar ativamente na sociedade e poder ter liberdade de ação, coisa que só homens brancos podiam. O Rio de Janeiro, como capital do Império, caracterizava-se como o Estado mais representativo na diplomacia e da política nacional, e, como porto, estava aberto ao comércio, à imigração e às novas ideias vindas de fora. É neste cenário que Chiquinha Gonzaga viveu. Filha do segundo reinado e mãe da República, Chiquinha soube viver e mudar seu tempo a partir de si: como gênero-mulher e, principalmente, como artista.