Uma cidade, antes de ser ruas, prédios e mapas, pode ser um conjunto de encontros: pessoas, sons, cheiros, memórias, pressas, silêncios, árvores, janelas, animais, histórias. Talvez uma cidade comece justamente quando muitas vidas diferentes passam acompartilhar um mesmo espaço.Eu percorreria esse lugar com os sentidos despertos: ouviria uma conversa distante, observaria uma pequena rachadura na parede, sentiria o cheiro de chuva ou de comida vindo de alguma casa. Perguntaria: quem vive aqui?Quem pode circular? Quem fica de fora? O que essa cidade guarda? O que ela deseja ser?A cidade dos meus sonhos não seria necessariamente enorme ou futurista. Seria uma cidade em que houvesse tempo para perceber os microdetalhes. Teria árvores e sombra, água limpa, espaços para brincar, caminhar e descansar; transporte que aproximasse em vez de cansar; lugares onde pessoas diferentes pudessem se encontrar. E teria também espaço para o inesperado - porque uma cidade viva não deveria ser completamente previsível.Talvez, no fim do percurso, eu descobrisse que a cidade dos sonhos não é uma cidade perfeita. É uma cidade que cuida: cuida das pessoas, dos bichos, das águas, das memórias e do futuro, com amor, liberdade, alegria...E então eurespiraria fundo e seguiria. Porque talvez a cidadela não esteja esperando uma explicação. Talvez esteja apenas perguntando: "Como você escolhe olhar para o lugar onde vive?"