A maioria dos(as) leitores(as) se perguntará: para que um livro sobre uma prática de escrita à primeira vista tão arcaica num momento de supostos avanços em tecnologias digitais da escrita, como as inteligências artificiais? Talvez vivamos hoje a ilusão crescente de que as tecnologias digitais da informação seriam as únicas favoráveis a uma vida mais livre. No caso da vida acadêmica, essa visão tem se reproduzido a cada geração nas últimas cinco décadas. No entanto, tanto no século XVI quanto no século XXI, os sistemas de notas utilizados por intelectuais nos revelam que os princípios inerentes à escrita representam lógicas próprias da escrita inventiva para diferentes gêneros textuais. É precisamente esse fato que torna a prática da escrita de notas tão fascinante, uma vez que o domínio dos princípios práticos de qualquer trabalho manual, em vez de alienar, tem o poder de libertar o(a) artífice sufocado(a) em cada acadêmico(a) colonizado(a) pela expectativa de uma vida intelectual incorpórea.