Criança Velha é um pequeno grande livro (ou um grande pequeno livro) inclassificável. A autora, dona de uma criatividade sui generis, consegue encadear, numa sintaxe brilhante, assuntos aparentemente aleatórios. É um texto raro, curioso, meio ensaio,meio autoficção (uma autoficção sem autocomplacência e com bastante humor e ironia), que alinhava uma relação tóxica com uma cachorra agressiva, histórias no cinema e na literatura da relação entre mãe e filha, e uma experiência de câncer. O livro também é uma reflexão muito pessoal e bastante sofisticada a respeito das escritas em primeira pessoa sobre o câncer e da obra de Chantal Akerman, diretora de Jeanne Dielman, escolhido como o melhor filme de todos os tempos pela revista britânica Sight and Sound.