A Encarnação do Verbo divino, realizada por decreto eterno do Pai e por obra do Espírito Santo, inaugurou uma nova fase na história humana. Até então, Deus se revelava aos homens por meio de intermediários humanos, homens pios ou agraciados com o múnus profético, cuja missão era anunciar a mensagem divina ao povo eleito. Todavia, a partir do advento de Jesus Cristo, Nosso Senhor, essa realidade mudou, e por Ele e n'Ele, Deus falou diretamente aos homens: "Muitas vezes e de muitos modos, Deus falou outrora aos nossos pais. Nestes dias, que são os últimos, falou-nos por meio do Filho" (Hb 1,1-2). Justamente por isso, em sua Epístola aos Gálatas, São Paulo, o Apóstolo das nações, precisa que a vida de Jesus e a realização do Seu ministério salvífico representam um momento único e central de história da humanidade, isto é, a "plenitude dos tempos" (Gl 4,4).De modo efetivo, por mandato de Jesus, essa Revelação deveria ser transmitida pelos Apóstolos e pelos seus sucessores a todos os povos por meio da Igreja, a qual deverá conservar fielmente esse sagrado depósito até o fim dos tempos. Precisamente, é nesse ato de transmissão e conservação da fé revelada que se pode discernir a Sagrada Tradição por meio da qual, juntamente com a Sagrada Escritura e o ensino infalível do Magistério, as verdades da fé chegaram até o presente e perdurarão até o fim dos séculos. A palavra tradição deriva do vocábulo latino "traditio", que pode ser traduzido por transmissão, entrega ou mesmo narração. Todavia, a compreensão do conceito de "Tradição" por parte da Igreja passou por um longo processo de desenvolvimento teológico até chegar às fórmulas concisas dos documentos magisteriais. Para tanto, desde os primórdios do Cristianismo até as épocas mais recentes, diversos teólogos buscaram dar a sua contribuição para a compreensão desse conceito, dentre os quais merece destaque o cardeal austríaco Johannes Baptist Franzelin (1816-1886), da Companhia de Jesus, que de modo magistra