Temos aqui versos revisitando sonhos que ficaram esquecidos num canto cego dos nossos olhos inflamados de dias. Temos aqui personificações de seres, coisas e sentimentos; imagens absurdas; vozes antes ocultas escorregando da ponta da língua nas páginas amareladas do tempo. Palavras se libertando desvirtuadas, saindo para dançar descalças e sem os óculos de focar os mundos. Nas primeiras sattvas das manhãs, cuidadosas em despertar o Silêncio para escapar da narcisista Lógica que ordena a vida. E entre cavalos amigos, ostras falantes e abismos acessíveis, surge a pergunta que já sabemos a resposta: que sentidos pedem as palavras poéticas? Ou melhor: que sentidos perdem as palavras poéticas?Clara Baccarin