Durante as gravações da histórica adaptação da obra-prima Grande sertão: veredas para a TV Globo, em 1985, Bruna Lombardi atravessa o norte de Minas Gerais, percorrendo o mesmo caminho que Guimarães Rosa, junto a uma equipe de mais de trezentas pessoas, uma das maiores produções da televisão brasileira. Em meio à poeira, às longas jornadas de estrada e à intensidade da experiência sertaneja, a atriz registra impressões, sentimentos, reflexões e trechos do livro de Guimarães Rosa em papéis avulsos que, mais tarde, deram origem a este diário.Mais do que um relato de bastidores, esta obra acompanha a transformação radical da atriz ao interpretar Diadorim, personagem central desse grande romance. Aos poucos, Bruna se vê profundamente transformada pela aridez e beleza do sertão e diante da complexidade de uma personagem marcada pela contenção, ambiguidade e força.Durante o processo de realizar o aparentemente impossível - traduzir para a televisão o universo de Guimarães Rosa -, Bruna escreve para compreender a travessia que vive por dentro, revelando uma experiência de despojamento e descoberta em que vida e ficção se misturam.Publicado originalmente em 1986 e relançado em 2026, ano em que se comemora 70 anos do Grande sertão: veredas e 40 anos do lançamento desta obra e da minissérie, Diário do Grande Sertão é um testemunho sensível de uma artista em transformação e, ao mesmo tempo, documento histórico sobre uma produção marcante da dramaturgia brasileira.