Em Dobra, Carlos Fajardo propõe uma experiência de olhar. Sem textos críticos ou percursos biográficos, o artista convida o leitor a se aproximar de sua obra por meio de imagens, desenhos, cores e fragmentos que se entrelaçam como pistas abertas à interpretação.Entre citações de Derrida, Clarice Lispector e Blanchot, o livro se constrói como um espaço de dobra - onde cada imagem revela e encobre outra, estimulando o leitor a criar seus próprios sentidos. Figura central da arte brasileira desdeos anos 1960, Fajardo transforma o livro em extensão de sua poética: um convite à reflexão sobre o ver, o espaço e a presença."Nas 340 páginas da edição, enumeram-se imagens fotográficas, desenhos em branco e preto, cores. Uma lista de atividadescotidianas escrita pelo próprio Fajardo sugere novas pistas e abre outros caminhos para que o leitor-espectador teça possíveis pontes com sua arte.Textos podem ser sugestivos de uma relação espacial com as imagens, como pergunta Clarice Lispector: "O que é um espelho?". Ou como sugere Maurice Blanchot, "Dai que não haja imagem da imensidão, mas que a imensidão seja a possibilidade da imagem (...)".O livro estimula, assim, um olhar imaginativo sobre a arte contemporânea e permite que se busquemsignificados únicos e pessoais, em desdobramentos intencionais provocados pelos textos em relação às obras.Sobre sua produção, Fajardo afirmou: "Meu trabalho oscila entre a condição do objeto e tudo o que não pode se exprimir na realidade monolítica desse objeto, embora nem por isso deixe de estar ali, presente no espaço, como manifestação física [Poética da distância. Entrevista com Carlos Fajardo. Sônia Salzstein, 2002].