As críticas à racionalidade moderna atingiram o discurso educacional colocando a Teoria da Educação em uma perspectiva tecnocrática, que rompe a estreita relação da educação com um projeto social de caráter emancipatório. Este livro pretende mostrar que a Teoria da ação comunicativa de Jürgen Habermas fornece o contexto conceitual, não só para mudar o rumo da crítica à Modernidade, mas também para superar os decorrentes paradoxos que surgiram com a crítica da razão instrumental. A produtividade da obra habermasiana para a educação está na recuperação do potencial crítico-emancipatório da razão histórica e ancorada na linguagem. Ampliar o horizonte conceitual da racionalidade permite recuperar a relação razão-emancipação. No âmbito desta relação, é possível retomar a Teoria da Educação como saber normativo e propositivo, e a educação como fato capaz de cumprir com a sua função reprodutora, mas também inovadora da sociedade. Um conceito ampliado de razão que atinge o sistema social, mas principalmente o mundo da vida cotidiana dos sujeitos, possibilita à Teoria da Educação colocar como objetivo: a contribuição ao fortalecimento cultural do mundo da vida, expandindo sua racionalidade. Entendemos que, com isto, a Pedagogia ampliaria seu espaço de reflexão e recobraria sua dimensão normativa e, portanto, sua capacidade de orientar a ação.