Ao escrever sobre a morte da filha, o professor e filósofo Fernando José de Almeida precisou lançar mão de todos os recursos clássicos que aprendeu e ensinou ao longo do tempo. Elogio à Saudade fala do luto, mas de uma perspectiva incomum, a do pai de mais de 80 anos que busca se afastar do lado sombrio para tentar iluminar uma existência que se mostrara - irredutível e contraditoriamente - agarrada à vida. O livro é isso: um ensaio comovente, clássico mas breve, não pesaroso, sobre uma pessoa que resolveu ir embora mais cedo.Trechos"A parábola linda do Evangelho e´ a da filha que volta. Na minha, ela não voltara´. Não me adianta ficar a olhar, na cadeira ao fim da tarde, a estradinha que desce, na curva do horizonte. Mas deixo a cadeirala´""Em algumas dessas peças estou muito presente. Falo do que sou, na~o de forma abstrata e metafísica de ser, mas o que fui sendo e estou sendo. Sou velho, tenho 81 anos, sou professor, sou marido, sou pai, sou irmão, sou tio, sou um pesquisador,um avo^ desmesurado. Sou um ex-seminarista jesuítas, sou o que São meus amigos e sou o que de mim eles fizeram, sou padrinho de batismo de muitas pessoas queridas, fui orientador de mais de 120 mestres e doutores ao longo de mais de quarenta anos"