Esta obra constitui um marco nos estudos de teoria crítica frankfurtiana no Brasil. Pela primeira vez pesquisadores em âmbito internacional, homens e mulheres se reúnem em torno de reflexões acerca das contradições e desafios frente às representações ideológicas as quais ordenam a imagem do feminino. Em meio a este espírito inconformista, este livro emergiu de exposições do Simpósio "Interinstitucional Emancipação contra o preconceito: o feminino não-idêntico na Teoria Crítica", o qual reuniu pesquisadores de instituições de ensino de diversas regiões do país, além de Argentina e Portugal. Para além da representação da mulher, ou das questões específicas de gênero está em questão o sentido dialético do Feminino. Logo, comparece o preconceito o qual expressa-se em relações sociais de trabalho e se amplia aos espaços sociais sob violências como: assédio moral e sexual, feminicídio, tortura psíquica, sexual, doméstica e religiosa. Foi objetivo deste simpósio que mulheres, homens e, Cis, Trans e LGBTQIAPN+ se reunissem contra a ideologia histórica reminiscente da (ir)racionalidade instrumental: "Com a dissolução da economia da concorrência ''''masculino-liberal'''', com a participação da mulher nos serviços assalariados [...], com o desencantamento da família e o afrouxamento dos tabus sexuais na superfície [...], a existência da sociedade tradicional distorceu a emancipação da mulher" (Adorno, 1993, p. 80). Resistir à degradação do Feminino pela barbárie recorrente é, pois, o objetivo desta obra contra a estética do sempre-idêntico, do padrão político indiferenciador no qual experiências não-idênticas, emancipatórias, dialéticas e conscientes são impedidas.