"Faraco [...] é rigoroso com as formas que pratica, não tolerando frouxidão, improviso, trivialidade [...]. O resultado é uma voz narrativa - que parece estar em todos os seus textos, ficção ou não - firme, nítida, tão cortante quanto discreta, longe de toda arrogância e de qualquer estardalhaço. Síntese admirável, de que sua literatura dá testemunho certo."Luís Augusto FischerEste volume reúne textos excêntricos - não ficcionais, no caso de Sergio Faraco, autor reconhecido e celebrado pela maestria da narrativa ficcional - escritos nos últimos quarenta anos, alguns publicados anteriormente, outros inéditos. Têm em comum a forma justa e burilada característica do autor e o olhar humanizador e desmistificador para com figuras relevantes da história e da arte. Se o gênero literário não é aquele por que ficou conhecido o autor, o rigor estilístico e o prazer do leitor são os mesmos. "[As frases de Faraco] são escritas, depois refeitas, depois submetidas a uma autocrítica feroz, transfigurando-se em objeto artístico do mais alto nível."Luiz Antonio de Assis BrasilCelebrado como um dos maiores contistas brasileiros do século XX e como um dos grandes mestres da narrativa curta da atualidade, Sergio Faraco se dedica, nestes textos, a algumas de suas mais cultivadas obsessões. O alferes Tiradentes é uma das personalidades a quem o autor dedica vários textos - no intuito de esmiuçar o homem, o mito e tudo o que existiu entre um e outro. William Shakespeare é outra figura assídua deste volume. Como numa relação espelhada, Faraco investiga que homem há por trás da obra shakespeariana e que homem havia, de fato, por trás do líder mais famoso da Inconfidência Mineira. Não é pequeno seu interesse por episódios de extrema violência. É o caso do naufrágio do Titanic, tragédia sobre a qual se debruça há décadas, sempre com um olhar atento às histórias pessoais, aos detalhes técnicos que vitimaram tanta gente e à luta de classes, que também estava a bordo. Nessa linha, Faraco se detém igualmente sobre o morticínio que coroou a queda dos Romanov, dinastia que governou o império russo até a revolução bolchevique, no início do século XX. E há também a história do advogado e político paulistano Peixoto Gomide, que choca a sociedade brasileira até hoje. A Antiguidade - grega e romana - é outra menina dos olhos de Faraco, acompanhada também por reflexões sobre a natureza da literatura, como em "Os outros Shakespeares". Ao fim da leitura