Uma narrativa veloz, que captura o leitor graças ao seu senso de humor macabro e às suas reviravoltas surpreendentes.Em meio à crise da imprensa, um jornalista de meia-idade é dispensado tal qual uma máquina de escrever antiga: ambos obsoletos. Fora da redação, Franz inicialmente sobrevive da rescisão. Depois se vão as reservas, as roupas, os móveis... e já não é mais possível fingir que as coisas estão sob controle. A única escolha é se mudar para uma propriedade da família, ou começar a dever o aluguel, passar fome e sabe-se lá mais o quê. Na Fazenda Tropical, ficam ele e sua fiel escudeira, cozinheira e ajudante, Rita. A fazenda está mais para um sitiozinho, com algumas galinhas no quintal, e sua administração agora cabe aos dois. Rita está grávida e decidida a dar a criança para adoção; não quer filhos nem tem como cuidar de um bebê. A informação, a priori irrelevante, paira no ar até virar uma ideia: e se, em vez de dada, a criança fosse vendida?Munido dos contatos de jornalista, ele começa a pesquisar com cautela. Só que achar um possível comprador é quase mais rápido do que tomar uma decisão tão questionável assim. A negociação é feita cara a cara, o pagamento está além de qualquer coisa que ele e Rita poderiam imaginar e mulheres que não podem cuidar de seus bebês estão por toda parte. Por que não otimizar? Mais grávidas sem condições, mais crianças para vender e mais dinheiro vivo na mão.O que começa como uma solução temporária se torna um negócio tão lucrativo quanto escuso, no qual, apesar de muitos questionamentos, os dois entram de cabeça. Fazenda Tropical é um romance eletrizante, com a marca de seu autor, o dramaturgo Walcyr Carrasco. Hipocrisia, crítica social e reviravoltas possíveis apenas pelo tal jeitinho brasileiro mantêm o leitor instigado até a última página.