"O livro organizado por Renata Souza, Lilian Angélica Souza e Isabela Amaral não se limitará a descrever a violência: ele a insere em uma longa duração histórica. O feminicídio político, como aqui se argumenta, não pode ser compreendido sem que se leve em conta a herança da escravidão, do colonialismo e do patriarcado na formação social brasileira. A violência que hoje se manifesta nos espaços institucionais é, em muitos sentidos, o passado-presente de uma ordem que sempre operou pela exclusão,pela hierarquização e pelo controle dos corpos, sobretudo os corpos das mulheres. Como sugere uma das reflexões centrais da obra, o Brasil nunca foi plenamente um país de todos - e essa exclusão tem cor, gênero e território.