Com um estilo sarcástico para leitores desconfiados, o filósofo argentino Michel Nieva faz uma crítica contundente ao discurso do capitalismo tecnológico. Ao expor as conexões profundas entre a ficção científica e o capitalismo, o autor revela como a imaginação do futuro vem sendo monopolizada por interesses econômicos e políticos.Diante de um horizonte de mudança climática, incerteza social e endividamento, somente os bilionários são capazes de imaginar como salvar o mundo. Mas salvar o mundo para quem? Está claro que na narrativa delirante dessas figuras apenas uma parcela ínfima e privilegiada da humanidade terá acesso à alta tecnologia que promete viagens interplanetárias, a superação dos limites do corpo e, quem sabe, a imortalidade.É a essa narrativa que se apropria da linguagem da ficção científica para projetar o capitalismo extraterrestre que Nieva chama de ficção científica capitalista. "A ficção científica capitalista é a narrativa fantástica de uma 'humanidade sem mundo', de turistas que vivem mil anos e viajam pelo cosmos tirando selfies enquanto a Terra arde em fogo."