EM 21 DE SETEMBRO DE 2024, três dias depois de responder a uma pergunta que gerou polêmica no Instagram, Tallis Gomes entrou em uma videochamada com cerca de 400 funcionários e comunicou sua renúncia ao cargo de CEO do G4. Seus críticos leram a saída como derrota.Ele a descreve como o ato de liderança mais difícil da sua trajetória. Antes da crise, Tallis já havia construído e vendido duas empresas: a Easy Taxi, que chegou a 35 países, e a Singu, comprada pela Natura. Durante quase toda essa trajetória, o egoísmo racional de Ayn Rand funcionou como bússola. Pouco mais de um ano antesda renúncia, ele começou a estudar filosofia clássica e se converteu ao cristianismo. É esse processo que ele aponta como origem da decisão de sair, e é dele que nasce o método que sustentou o crescimento do G4, de R$ 12 milhões em 2019 a mais de R$ 500 milhões de receita anual, sem dívidas e sem aporte de investidor externo.No cerne do método, uma tese desconfortável: empresa não é democracia. Em A República, Platão trata monarquia e aristocracia como um só regime, porque o que define a qualidade de um governo não é o número de governantes, e sim se eles decidem guiados pela razão e pelas virtudes. Tallis transporta a estrutura para dentro da empresa e a chama de monarquia empresarial: o dono aponta o rumo, uma aristocracia de diretores executa, e as virtudes sistematizadas por Aristótelese Tomás de Aquino separam o líder virtuoso do oligarca. Dela derivam as decisões práticas do livro: como contratar, como demitir, como sustentar cultura, como montar governança e como atravessar uma crise sem recorrer ao teatro corporativo, a prática de se preocupar mais em parecer bom do que em ser bom no que se faz.