O renovado interesse pela gnose, manifesta, segundo G. Filoramo «uma secreta afinidade entre a atual época de crise, fustigada pela angústia e ao mesmo tempo desejosa de mudanças e sedenta de novidade, e o período histórico entre o II e III séculos d. C. em que o antigo gnosticismo se afirmou como uma resposta aos problemas perturbantes de uma época de angústia» (L'attesa della fine. Storia della gnosi, Bari 1983, XIX). Esta analogia entre dois períodos de crise explica o percurso proposto nestaobra que pretende ajudar a compreender a relação marcadamente conflitual do homem com o mundo e suas criaturas, na história da cultura ocidental.«A história da investigação sobre a gnose pode ler-se de dois modos. Em primeiro lugar, serve sobretudopara estudar a gnose da antiguidade tardia. Mas serve também para ser lida como um palimpsesto que ajuda a compreender a situação do presente» (J. TAUBES, Gnosis und Politik, München-Paderborn 1984, 9).