GRÃOS DE PRATA

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9788592875855
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    • 1
      Autor
      MIRA, CRISTINA Indisponível
    • 2
      Editora
      LARANJA ORIGINAL (CT) Indisponível
    • 3
      Páginas
      1 Indisponível
    • 4
      Edição
      1 - 2024 Indisponível
    • 5
      Ano
      2024 Indisponível
    • 6
      Origem
      NACIONAL Indisponível
    • 7
      Encadernação
      BROCHURA Indisponível
    • 8
      Dimensões
      14 x 21 x 1 Indisponível
    • 9
      ISBN
      9788592875855 Indisponível
    • 10
      Situação
      Sob Encomenda Indisponível
    • 11
      Data de lançamento
      02/12/2024 Indisponível
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É difícil andar por certas ruas de São Paulo e não ter a sensação de que a cidade sussurra outras histórias por baixo do seu chão de asfalto e cimento. Combinando memória e imaginação, recorrendo aqui e ali a fatos históricos reais, mas confiando a maior parte do tempo no seu próprio tino poético, Grãos de prata, de Cristina Mira, recolhe em prosa límpida as vozes, os relatos, os registros de amor e de amizade, as pequenas experiências do cotidiano de uma gente, uma comunidade, que começou a habitar as várzeas do rio Tietê na década de 1940, precisamente no momento em que a cidade, arrastada para um projeto de crescimento insensato e grotesco, começava a dar adeus a seu rio principal. Explorando a analogia com os grãos de nitrato de prata que, na fotografia, fixam a imagem no papel mas que, sob certas condições, podem também velá-la, este livro não obriga seus personagens a falar, mas, sabiamente, deixa que as suas falas - e a fala de quem narra estas histórias - se formem a partir de pequenos acontecimentos: os sons dos passos na ponte de madeira, um passeio de bicicleta, o recorte de uma notícia de jornal, uma volta de barco com o tio, a luz que toca e transforma os objetos na sala, o piso vermelho de uma varanda... É desse cruzamento de histórias e sensações - pontuadas pelas fotos de um álbum de família, tratadas e diagramadas com esmero por Gilberto Tomé - que nasce o ritmo deste livro tão singular, no qual certas beiradas de rio, certas esquinas, a Ponte Grande, que fazia a ligação do centro da cidade com a outra margem do Tietê, ressurgem na voz de personagens vividos e inventados. "Sou um homem que nasceu, viveu e cresceu na beira de um rio, entre uma margem e outra, com uma ponte no meio. De um lado a Vila Guilherme, o Jardim da Coroa, do outro o Canindé, o Pari e o Brás. Tirar uma ponte é me dividir ao meio" - diz a certa altura Adauto Fernandes, o Pé-de-Anjo, filho de um casal de portugueses que se instalou próximo ao rio e às suas "muitas lagoas", antes de que a cidade trocasse a existência das várzeas por inundações e catástrofes. É também na forma de "muitas lagoas", conectadas entre si, que os blocos de prosa de Cristina Mira tocam o leitor, tecendo narrativas a partir de paisagens e figuras esquecidas, dando relevo a vidas anônimas - aquelas que, como escreveu Antonio Candido, "formam o miolo da história e por vezes exprimem o que nela há de mais humano". Com uma percepção aguda para a poesia de lugares hoje praticamente invisív

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