O MAR INFINITO Ana Miranda Se a ciência diz que somos água, significa que a nossa essência é feita dos oce- anos nos quais nos originamos. Isso talvez explique a sensação que nos dá a terrível e bela experiência da leitura desses relatos de naufrágios, a História trágico-marítima. É como se estivéssemos revolvendo partes profundas, não apenas do nosso passado, mas da memória distante, da qual só temos indícios em sonhos e impressões fugazes. Na leitura da História trágico-marítima, de uma maneira misteriosa nos reconhecemos, pois uma parte de nós vem da herança portuguesa. Somos um país surgido do contato violento entre dois mundos.