Em 1920, uma jovem viúva espanhola desembarca em Santos com duas crianças e a coragem de quem não tem mais nada a perder. Décadas depois, seu neto reconstrói, com humor e ternura, o universo de cortiços, fábricas, festas e fé que moldou gerações de imigrantes no coração de São Paulo.Carlos Antonio Luque nasceu no Brás e leva o bairro consigo desde então. Neste livro, ele resgata a saga de sua avó Angustias e de sua mãe Emília - duas mulheres de força extraordinária - e tece um mosaico de personagens inesquecíveis: vizinhos de apelidos cruéis e hilários, policiais ridicularizados pela esperteza popular, padres mais afeitos ao vinho que à doutrina, e crianças que cresciam entre o apito das fábricas Matarazzo e os gritos da feira livre.São histórias de quem fugiu da fome na Andaluzia e na Itália para enfrentar outra fome, em terra estranha, mas que descobriu que rir de si mesmo era a única forma de seguir a vida.Um relato comovente e divertido sobre as raízes e a dignidade dos que vieram para recomeçar, escrito por quem nunca deixou de ser, por dentro, um menino do Brás.