Na aproximação com as interlocutoras da pesquisa, as criadoras do Projeto Samba Pretinha, minhas bases epistêmicas se desmoronaram e eu não sabia o que fazer, pois compreendi que a autora do livro "O que é lugar de fala?" estava sendo acusada de invisibilizar o posicionamento das passistas acerca da passista Globeleza. Nesse momento, foi necessário me tornar uma pesquisadora cambone. No fazer da pesquisa, a cambone é a pesquisadora que admite a perspectiva do cruzo, ou seja, aquela que entende que não é possível pensar na produção de conhecimento em algumas práticas culturais, sem que permitamos nos afetar e nos transformar com aquilo que é próprio dessas culturas (Simas; Rufino, 2018). Com isso, esse trabalho objetivou estabelecer uma agenda de discussão que apresenta e atualiza o debate desenvolvido sobre sambistas negras desde a década de 1970 e, mais recentemente, realizado pelas próprias sambistas.