Todo crítico de cinema tem alguma coisa de praticante de necromancia - a arte de se falar com os mortos. Escrever sobre um filme é tentar reviver a experiência que se teve diante da tela, presumivelmente no escuro, o que, claro, é impossível. Lidando com o buraco infinito da frustração, resta ao crítico atirar-se no abismo e tentar recriar obsessivamente a imagem-fetiche: como o desgraçado detetive em Vertigo. Imagem em questão: coletânea de críticas de Wellington Sari faz um apanhado de textos, escolhidos pelo próprio autor, publicados nas revistas digitais Contracampo e Revista Interlúdio - dois veículos fundamentais para a história da crítica no Brasil. Seja refletindo sobre filmes presentes no circuito comercial à época da escrita, seja falando sobre obras de outros tempos, os textos buscam sempre alcançar as imagens: são elas a luz que ilumina o túnel.