Em 1899, o príncipe sérvio Bojidar Karageorgevitch desembarca em Bombaim (atual Mumbai) e inicia uma longa viagem pelo subcontinente indiano, então sob domínio britânico. Seu relato transcende o mero registro de viagem, oferecendo um retrato vívido emultifacetado de uma civilização em plena ebulição.Ao longo do percurso, ele testemunha cerimônias de cremação à beira do Ganges, festivais religiosos, visita mesquitas, templos jainistas e bazares efervescentes. Conhece monumentos de beleza fascinante que preservam a história milenar de cidades como Hyderabad, Calcutá, Agra, Jaipur e Délhi, além de cruzar a região da Caxemira até a fronteira com o Afeganistão. Em Palitana, sobe uma colina coberta por nada menos que cinco mil santuários dedicados às dezenas de deuses hindus.Sua narrativa detalha não apenas a grandiosidade arquitetônica, a exemplo do Taj Mahal e os fortes mogóis, mas também o cotidiano das ruas perfumadas, floridas e coloridas, que pulsam ao som das darbukas, das dançasdas devadasis, dos faquires em transe e das cerimônias de purificação, além dos conflitos sociais causados pelo sistema de castascheio de regras.Índia Encantada nos mostra um mosaico de contrastes: o dourado das cúpulas mogóis contra o vermelho dos fortes rajputs; o perfume do sândalo misturado à fumaça das piras funerárias; a devoção silenciosa nos templos e o clamor nos bazares tumultuados.Bojidar registra tudo com a precisão de um etnógrafo e a sensibilidade de um pintor, revelando um mundo complexo e ao mesmo tempo belo, produzindo um texto quase onírico de um país que continua a nos fascinar até hoje.