Em Limpar o mundo, Françoise Vergès examina a limpeza como uma prática que revela e sustenta as estruturas do capitalismo racial. Ao mostrar como a divisão entre "limpo" e "sujo", aplicada a corpos, casas, cidades e até ao planeta, nasce de lógicas coloniais, burguesas, de gênero e racializadas, a autora recupera histórias e experiências que raramente ganham espaço na mídia ou nos relatos oficiais.Em vez de tentar ajustar um sistema que produz resíduos, desigualdades e violência de forma contínua, Vergès propõe imaginar o que seria uma "limpeza decolonial": uma prática orientada pelo cuidado com a terra e com todas as formas de vida.Limpar o mundo convida leitoras e leitores a repensar quem limpa, para quem se limpa e que futuro pode emergir quando a limpeza deixa de servir à opressão e passa a ser ferramenta de sobrevivência, cuidado e reinvenção coletiva.