Em Maria Silenciada há uma pedagogia do recomeçar. Com coragem, nudez e sensibilidade, Ana Tomazelli escreve a partir de uma ferida pessoal e coletiva e, ao fazê-lo, oferece um espelho às mulheres que aprenderam a suportar e a silenciar em nome da moral e dos bons costumes, tão bem contidos e reforçados em discursos religiosos tradicionais que têm moldado a vida público-privada de forma latente nos últimos anos. Sua escrita não aponta culpados ou culpadas, mas denuncia e faz vir à tona uma história e consciência maior sobre o quanto é no corpo que se inscrevem noções idealistas e restritivas de relações de gênero. Por isso mesmo, trata-se de um texto que ultrapassa limites acadêmicos e religiosos. Fala tanto à leitora leiga ou ao leitor leigo quanto àquela e àquele que busca, numa reflexão crítica, cientificamente embasada e radicalmente comprometida com a justiça social, uma liberdade emocional. De fato, nesse livro a autora nos lembra que toda forma de espiritualidade autêntica começa quando o silêncio se rompe, e que todo refazimento a partir do perdão exige reconhecer e nomear o que doeu, para que não mais aconteça. Nunca mais.