Organizado postumamente, Música de mortos suaves, de Ricardo Guilherme Dicke, grande nome da prosa brasileira, reúne catorze contos - doze deles inéditos - encontrados por Rodrigo Simon de Moraes ao vasculhar os alfarrábios deixados pelo autor após sua morte, em 2008. Natural de Chapada dos Guimarães e figura central da literatura mato-grossense, Dicke construiu ao longo da vida uma obra marcada pela experimentação, pelo mergulho no inconsciente e por uma prosa que desafia os limites do real. Essa reunião de contos se impõe como uma porta de entrada poderosa para seu universo literário, dialogando tanto com a tradição quanto com o delírio. O conto que dá título ao livro inaugura a atmosfera que atravessa todo o volume: um território onírico, entre o surrealismo e o realismo mágico. "Nestes contos encontrados no espólio do autor, anteriores à sua estreia no romance com Deus de Caim em 1968 - chancelada pelo Prêmio Walmap, cujos jurados eram ninguém menos que Guimarães Rosa, Jorge Amado e Antonio Olinto -, vibram com eloquência as rigorosas obsessões de Ricardo Guilherme Dicke, o sertão, a morte, o sexo e a fúria da linguagem, em palavras rutilantes como esmeraldas na escuridão da mina." Joca Reiners Terron, na orelha de Música de mortos suaves