Em No meu tempo, eu era melhor, o vencedor do Prêmio Jabuti, Carpinejar, reúne 177 textos sobre a geração sanduíche - uma geração espremida entre criar filhos e cuidar dos pais, memórias afetivas e novas tecnologias - em uma obra que transforma as contradições da meia-idade em identificação, humor e afeto.Quem nunca soltou um "Ah, no meu tempo é que era bom" que atire a primeira pedra. Um clichê que, no fundo, tem sua dose de verdade, assim como uma carga enorme de saudade e nostalgia que define uma geração inteira. Uma geração pré-celular, que cresceu brincando na rua, que viu a televisão virar computador, o computador caber no bolso e hoje precisa dar conta de uma vida em que estar desconectado parece impossível.A geração sanduíche foi a última a nascer analógica e a primeira a abraçar a era digital. Talvez pelo fato de ser lá e cá, essa geração tenha uma capacidade impressionante de encarar as contradições da meia-idade: criar os filhos e, ao mesmo tempo, cuidar dos pais; lidar com as próprias mudanças num mundo que nunca para; revisitar memórias quando não se pode piscar um minuto.No meu tempo, eu era melhor é quase uma carta aberta de Carpinejar, na qual "diz coisas que gostaríamos de dizer, mas nos contemos, porque somos falsos", como descreve o imortal Ignácio de Loyola Brandão, no prefácio deste livro. Profundo conhecedor da alma humana, Carpinejar toca onde o calo aperta. Sua escrita íntima, honesta e afiada nos faz rir e chorar em igual medida.Sensível porém certeiro, ele nos conduz a uma viagem no tempo, mas não para sentenciar que aquela época era melhor, e sim para nos fazer enxergar o que realmente importa. Com honestidade, humor e conhecimento de causa, Carpinejar não só nos leva de volta ao passado, ele nos convida a viver um presente que, no futuro, também deixará saudade.