Um dos aspectos emblemáticos abordados neste livro diz respeito ao debate curricular acerca da inserção de um novo processo de seleção e organização do conhecimento escolar. Historicamente, os curriculistas colocaram em discussão as inter-relações entre conhecimento e cultura como polos da organização das atividades escolares. Ora priorizavam-se os conhecimentos científicos, ora se organizava o trabalho em torno dos saberes e das culturas dos estudantes - esta foi a principal controvérsia no pensamento curricular. Todavia, com o ingresso dos algoritmos - que prometem planejamento de aulas, seleção de saberes e avaliação personalizada dos estudantes - novas indagações precisam ser posicionadas no interior da crítica curricular. Ao longo deste estudo, problematizam-se as articulações entre políticas curriculares para o Ensino Médio e tecnologias digitais no contexto do advento da quarta revolução industrial. Exploram-se, em perspectiva crítica, os limites pedagógicos, éticos e políticos dessas arquiteturas curriculares que apostam no protagonismo dos estudantes para a definição de seus itinerários formativos e, mais que isso, colocam em circulação dispositivos de planejamento e acompanhamento das aprendizagens baseados em algoritmos sofisticados.